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Júlia Quoos

Bit a Bit

Algoritmo é receita de bolo?

O que é um algoritmo, as três peças (sequência, repetição e decisão) e a atividade desplugada do robô humano. Bit a Bit #07.

Foto de Júlia Roberta Quoos Alves Por 4 min de leitura

Até aqui, a série Bit a Bit mostrou como o computador guarda números, letras e imagens. Agora a pergunta é outra: como ele sabe o que fazer com esses dados? A resposta são os algoritmos. E a comparação mais comum para explicar o que é um algoritmo é a receita de bolo.

Quase uma receita

Uma receita é uma sequência de passos para chegar a um resultado, e isso é quase a definição de algoritmo. O problema está em instruções como “mexa até dar o ponto”. Uma pessoa entende, mas uma máquina não sabe o que é “ponto”. Um algoritmo precisa ser tão preciso que até uma máquina consiga segui-lo: ter começo e fim, não deixar dúvida em nenhum passo e funcionar sempre do mesmo jeito.

A palavra vem do nome do matemático persa al-Khwarizmi, que no século IX escreveu sobre métodos passo a passo para fazer contas.

Selo Bit a Bit número 7. Título: “Algoritmo é receita de bolo?”. Subtítulo: quase; é uma receita tão precisa que até uma máquina consegue seguir. Três quadros com o algoritmo de atravessar a rua. Sequência: 1, pare na calçada; 2, olhe para a esquerda e para a direita. Repetição: repita olhar para os dois lados até não vir nenhum carro. Decisão: se o sinal estiver verde, atravesse; senão, espere. No rodapé: “O computador faz exatamente o que você manda, mesmo quando você manda errado.” Assinatura Júlia Roberta Quoos Alves, ohtopico.com.br.
Atravessar a rua em três peças: sequência, repetição e decisão. Baixar imagem

Três peças

Quase todo algoritmo é montado com três peças. O exemplo de atravessar a rua mostra as três:

  • Sequência: um passo depois do outro. Pare na calçada; olhe para a esquerda e para a direita.
  • Repetição: faça de novo até uma condição ser atendida. Repita olhar para os dois lados até não vir nenhum carro.
  • Decisão: se algo acontecer, faça uma coisa; senão, outra. Se o sinal estiver verde, atravesse; senão, espere.

O computador faz exatamente o que o algoritmo manda, mesmo quando o algoritmo está errado. Por isso encontrar e corrigir erros, a depuração, faz parte de programar.

Onde tem algoritmo

O GPS usa um algoritmo para escolher o caminho. O feed das redes sociais usa algoritmos para escolher o que aparece primeiro. O corretor do celular sublinha a palavra errada e o elevador decide para qual andar ir. Entender as três peças ajuda a turma a perceber que essas escolhas seguem regras escritas por pessoas.

Na sala de aula

Algoritmo aparece na BNCC Computação desde o 1º ano, com a EF01CO02, que pede identificar e seguir sequências de passos do dia a dia. No 5º ano, a EF05CO04 pede criar e simular algoritmos com sequências, repetições e seleções condicionais, as três peças deste post. A atividade do robô humano funciona em qualquer desses anos.

No próximo post: como um interruptor vira uma conta de somar?

Plano de aula: robô humano

Ano3º ao 6º ano (simplificada, funciona do 1º ano)
Duração50 minutos
HabilidadesEF01CO02: identificar e seguir sequências de passos aplicados no dia a dia. EF05CO04: criar e simular algoritmos com sequências, repetições e seleções condicionais
MateriaisPapel, lápis e o espaço da sala; fita crepe para marcar o ponto de partida
Sem laboratórioSim, a aula é toda desplugada

Objetivo: escrever um algoritmo preciso com sequência, repetição e decisão, e depurar os erros.

Desenvolvimento

  1. Pergunta de abertura (5 min). “Por que o computador faz o que você manda, mesmo quando está errado?”
  2. A receita (10 min). Leia uma receita de bolo e peça que a turma encontre instruções vagas, como “até dar o ponto” ou “a gosto”.
  3. Três peças (5 min). Apresente sequência, repetição e decisão com o exemplo de atravessar a rua.
  4. Robô humano (25 min). Em duplas, um é o robô e o outro é o programador. O programador escreve os passos para o robô ir do ponto de partida até a porta da sala. O robô segue exatamente o que está escrito, nada mais. Quando o robô travar, a dupla depura: encontra o erro, corrige e testa de novo.
  5. Fechamento (5 min). Quais erros apareceram mais? Pergunta para a próxima aula: “Como um interruptor vira uma conta de somar?”

Avaliação: o algoritmo final da dupla e o registro das correções mostram se o aluno escreve passos precisos e usa as três peças.

Adaptações: para alunos com deficiência física, o robô pode ser um boneco num tabuleiro quadriculado. Para os anos iniciais, os passos podem ser desenhados com setas.

Slides para a aula

7 slides em PDF (formato 16:9), nas cores do site, seguindo o roteiro do plano acima. É só projetar.

Baixar slides (PDF, 660 KB)

Fontes

  • Habilidades EF01CO02 e EF05CO04: profez.com.br/bncc/computacao, que reproduz o complemento de Computação à BNCC (Parecer CNE/CEB nº 2/2022).
  • Atividade do robô humano: adaptada de atividades desplugadas do CS Unplugged (Universidade de Canterbury, Nova Zelândia) e do Code.org.