Matemática em sala
Como envolver os alunos na aula de matemática
Seis técnicas simples para que toda a turma participe da aula de matemática, e não só os alunos que sempre levantam a mão.
Envolver não é o mesmo que entreter. Uma turma envolvida é uma turma em que todos estão pensando ao mesmo tempo, e não só os três alunos que sempre levantam a mão. Este texto reúne técnicas simples para aumentar a participação na aula de matemática, todas testadas em turmas reais de escola pública.
O problema da mão levantada
Quando a professora pergunta e espera mãos levantadas, a maior parte da turma aprende que pode esperar alguém responder. As técnicas abaixo trocam “quem sabe?” por “todo mundo mostra”.
Seis técnicas para todos participarem
- Miniquadros. Uma folha plastificada ou um pedaço de papelão com caneta de quadro branco. Todos respondem ao mesmo tempo e levantam juntos. Em dez segundos você vê quem entendeu.
- Conversa numérica. Escreva 18 × 5 no quadro e peça que resolvam de cabeça. Depois, colete estratégias diferentes: 10 × 5 + 8 × 5, ou 18 × 10 ÷ 2. Ninguém está “errado” por pensar diferente, e isso convida quem costuma ficar quieto.
- Pensar, conversar, compartilhar. Um minuto sozinho, dois minutos com a dupla e só então a turma toda. Quem tem vergonha de falar ensaia antes com o colega.
- Sorteio de nomes depois da dupla. O sorteio sozinho assusta. Depois da conversa em dupla, a pessoa sorteada responde pela dupla, e não por si mesma.
- Estimativa antes do cálculo. “Quantos grãos de arroz cabem nesse copo?” Todos dão um palpite antes de calcular. Palpite não tem resposta errada, então todo mundo entra no jogo.
- Papéis no grupo. Em atividades em grupo, cada um tem uma função: leitor, calculista, revisor e porta-voz. Ninguém pode deixar o trabalho para o colega.
Matemática que sai do caderno
O envolvimento cresce quando a matemática acontece no corpo e no espaço. Uma reta numérica no chão do pátio, a medição da horta da escola, uma pesquisa com a própria turma para montar gráficos. O plano de aula Pesquisa-relâmpago é um exemplo: a turma vira a fonte dos dados em dez minutos.
Como saber se funcionou
Conte, numa aula, quantos alunos diferentes falaram ou mostraram uma resposta. Repita depois de duas semanas usando as técnicas acima. O número costuma dobrar, e é um indicador mais honesto do que a sensação de que “a aula foi boa”.
Participação em uma aula é o primeiro passo; manter o interesse o ano inteiro é o segundo. Sobre isso, leia como manter os alunos motivados em matemática o ano inteiro.
Júlia Roberta Quoos Alves é professora de computação e formadora de professores de matemática no Rio Grande do Sul.