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Júlia Quoos

Matemática em sala

Como envolver os alunos na aula de matemática

Seis técnicas simples para que toda a turma participe da aula de matemática, e não só os alunos que sempre levantam a mão.

Foto de Júlia Roberta Quoos Alves Por 3 min de leitura

Envolver não é o mesmo que entreter. Uma turma envolvida é uma turma em que todos estão pensando ao mesmo tempo, e não só os três alunos que sempre levantam a mão. Este texto reúne técnicas simples para aumentar a participação na aula de matemática, todas testadas em turmas reais de escola pública.

O problema da mão levantada

Quando a professora pergunta e espera mãos levantadas, a maior parte da turma aprende que pode esperar alguém responder. As técnicas abaixo trocam “quem sabe?” por “todo mundo mostra”.

Cartão comparando: em vez de perguntar quem sabe a resposta e ver as mesmas três mãos levantadas, experimente miniquadros, conversa numérica e pensar, conversar, compartilhar.
Troque “quem sabe?” por “todo mundo mostra”. Baixar imagem

Seis técnicas para todos participarem

  1. Miniquadros. Uma folha plastificada ou um pedaço de papelão com caneta de quadro branco. Todos respondem ao mesmo tempo e levantam juntos. Em dez segundos você vê quem entendeu.
  2. Conversa numérica. Escreva 18 × 5 no quadro e peça que resolvam de cabeça. Depois, colete estratégias diferentes: 10 × 5 + 8 × 5, ou 18 × 10 ÷ 2. Ninguém está “errado” por pensar diferente, e isso convida quem costuma ficar quieto.
  3. Pensar, conversar, compartilhar. Um minuto sozinho, dois minutos com a dupla e só então a turma toda. Quem tem vergonha de falar ensaia antes com o colega.
  4. Sorteio de nomes depois da dupla. O sorteio sozinho assusta. Depois da conversa em dupla, a pessoa sorteada responde pela dupla, e não por si mesma.
  5. Estimativa antes do cálculo. “Quantos grãos de arroz cabem nesse copo?” Todos dão um palpite antes de calcular. Palpite não tem resposta errada, então todo mundo entra no jogo.
  6. Papéis no grupo. Em atividades em grupo, cada um tem uma função: leitor, calculista, revisor e porta-voz. Ninguém pode deixar o trabalho para o colega.

Matemática que sai do caderno

O envolvimento cresce quando a matemática acontece no corpo e no espaço. Uma reta numérica no chão do pátio, a medição da horta da escola, uma pesquisa com a própria turma para montar gráficos. O plano de aula Pesquisa-relâmpago é um exemplo: a turma vira a fonte dos dados em dez minutos.

Como saber se funcionou

Conte, numa aula, quantos alunos diferentes falaram ou mostraram uma resposta. Repita depois de duas semanas usando as técnicas acima. O número costuma dobrar, e é um indicador mais honesto do que a sensação de que “a aula foi boa”.

Participação em uma aula é o primeiro passo; manter o interesse o ano inteiro é o segundo. Sobre isso, leia como manter os alunos motivados em matemática o ano inteiro.

Júlia Roberta Quoos Alves é professora de computação e formadora de professores de matemática no Rio Grande do Sul.