Matemática em sala
Como manter os alunos motivados em matemática o ano inteiro
Cinco estratégias para manter a motivação dos alunos em matemática do início ao fim do ano, e o que desmotiva sem a gente perceber.
Quase toda turma começa o ano animada e chega em junho dizendo que matemática é chata. A motivação não some de uma vez: ela vai sendo gasta em aulas em que o aluno não entende para que serve o conteúdo, não percebe que está melhorando e tem medo de errar na frente dos colegas. A boa notícia é que dá para reabastecer, e sem precisar de aula-show todo dia.
O que alimenta a motivação
As pesquisas sobre motivação na escola costumam apontar três necessidades: sentir que consegue (competência), sentir que tem alguma escolha (autonomia) e sentir que pertence ao grupo (vínculo). Quando uma delas falta por muito tempo, o aluno desliga. As cinco estratégias abaixo atacam essas três frentes.
Cinco estratégias para o ano inteiro
- Comece pelo problema, não pela regra. Antes de ensinar porcentagem, pergunte se a promoção “leve 3, pague 2” é melhor que 30% de desconto. A curiosidade vem primeiro, a fórmula depois.
- Torne o progresso visível. Uma tabela de habilidades que o próprio aluno pinta conforme domina (“já sei comparar frações”) mostra o caminho percorrido. Notas sozinhas não fazem isso.
- Trate o erro como dado. Escolha um erro comum da turma, sem nome, e analise no quadro: “o que essa pessoa pensou? Onde o raciocínio desviou?”. Errar vira parte da aula, e não motivo de vergonha.
- Ofereça escolhas pequenas. Três problemas de dificuldades diferentes e o aluno escolhe dois. Ou a mesma lista com contextos diferentes: futebol, culinária, jogos. Escolher aumenta o compromisso com a tarefa.
- Feche cada aula com uma conquista. Os últimos cinco minutos para uma pergunta que quase todos acertam. O aluno sai lembrando que conseguiu.
O que costuma desmotivar sem a gente perceber
- Listas longas de exercícios iguais, em que o décimo não ensina nada que o terceiro não tenha ensinado.
- Comparar alunos em voz alta (“fulano já terminou”).
- Responder “porque é assim” quando perguntam o porquê de uma regra.
- Usar a matemática como castigo: “se não fizerem silêncio, vai ter prova surpresa”.
Um jeito rápido de medir o clima da turma
A cada quinzena, peça que os alunos completem anonimamente duas frases num papel: “Na matemática, eu me sinto…” e “Uma coisa que me ajudaria é…”. Leva três minutos e mostra quando a turma está perdendo o fôlego, antes que isso apareça nas notas.
No material didático do ohtopico há planos de aula e jogos de matemática para os anos finais que seguem essa lógica: problema primeiro, estudante ativo e progresso salvo no navegador.
A motivação se mantém quando a turma participa de verdade. Para isso, veja também como envolver os alunos na aula de matemática, com seis técnicas para que todos falem, e não só quem sempre levanta a mão.
Júlia Roberta Quoos Alves é professora de computação e formadora de professores de matemática no Rio Grande do Sul.