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Ética e LGPD

O que pode e o que nunca vai no prompt

Quais dados de alunos podem e quais nunca devem ir no prompt de uma IA, segundo a LGPD, com exemplos para professores.

Foto de Júlia Roberta Quoos Alves Por 3 min de leitura

O maior risco da IA na escola não é o aluno colar no trabalho. É o professor, com boa intenção, colar o laudo de um aluno no ChatGPT para pedir uma atividade adaptada. Neste texto explico o que pode e o que nunca vai no prompt, e como fazer o mesmo pedido sem expor ninguém.

Por que isso importa

Muitas plataformas públicas de IA usam o que os usuários escrevem para treinar novas versões do sistema. Ou seja: um dado colado no prompt pode sair do controle da escola.

A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD, Lei nº 13.709/2018) exige cuidado redobrado com dados de crianças e adolescentes, que devem ser tratados sempre no melhor interesse deles. Dados de saúde, como laudos e diagnósticos, são considerados sensíveis e têm proteção ainda maior.

A regra prática

Pode ir no promptNunca vai no prompt
Série, tema e tempo de aulaNomes, fotos e vozes de alunos
Perfil da turma, sem nomesLaudos, saúde e dados familiares
Textos e exercícios propostosNotas e trabalhos identificáveis

Como fazer o mesmo pedido sem expor o aluno

Em vez de: “O Pedro, do 7º B, tem laudo de TDAH e não consegue fazer a prova. Adapte esta atividade para ele.”

Escreva: “Tenho um aluno do 7º ano com dificuldade de manter a atenção em tarefas longas. Adapte esta atividade: divida em etapas curtas, com uma instrução por vez e um espaço para marcar o que já foi feito.”

O segundo pedido tem tudo o que a IA precisa para ajudar e nada que identifique o estudante. Repare que ele descreve a necessidade pedagógica, não o diagnóstico.

Comparação de dois prompts. Em vez de: “O Pedro, do 7º B, tem laudo de TDAH e não consegue fazer a prova. Adapte esta atividade para ele.”, com o nome, a turma e o laudo riscados. Escreva: “Tenho um aluno do 7º ano com dificuldade de manter a atenção em tarefas longas. Divida esta atividade em etapas curtas, com uma instrução por vez.” Resumo: descreva a necessidade, não o diagnóstico.
O mesmo pedido, sem expor o aluno: o que sai e o que entra no prompt. Baixar imagem

Em vez de: colar a redação do aluno com nome e turma para pedir correção.

Faça: apague nome, turma e qualquer detalhe pessoal do texto antes de colar. Peça critérios de correção, não a nota final. A avaliação continua sendo sua.

Três hábitos que protegem a turma

  1. Anonimize antes de colar. Troque nomes por “aluno A” e tire qualquer detalhe que identifique a pessoa.
  2. Descreva a necessidade, não o diagnóstico. “Dificuldade de leitura” basta; o laudo não precisa ir.
  3. Combine regras com a escola. Saber quais ferramentas a escola autoriza e avisar quando um material foi feito com apoio de IA.

Todos os prompts da biblioteca de prompts para professores foram escritos para funcionar sem nenhum dado pessoal de aluno.

No guia IA pra Prof há um jogo rápido, o “Pode ou nunca?”, para treinar essa decisão com a equipe em uma reunião pedagógica.

Júlia Roberta Quoos Alves é professora de computação e formadora de professores em IA no Rio Grande do Sul.

Pronto · publicado em 24 de outubro de 2026