ohtopico / infográficos
$ paisagem sonora

A partitura da cidade

Durante quatro anos, microfones presos em postes e fachadas de Nova York gravaram trechos de 10 segundos. Voluntários ouviram cada trecho e marcaram o que tinha nele: motor, serra, buzina, cachorro, conversa, música. Com essas marcações dá para ler a cidade como uma partitura: que som entra, a que horas, e onde.

  • Nova York · 2016 a 2019
  • 18.510 gravações de 10 s
  • 56 microfones na rua
Partitura de 24 horas

Quando cada som toca

partitura.html

Cada linha é um som e cada coluna é uma hora do dia. O tamanho da bolinha mostra em que horário aquele som aparece mais, comparado com o próprio pico da linha (a bolinha com contorno é o horário em que ele mais toca). As linhas estão em ordem de pico: a cidade começa com motores de madrugada, passa pelas obras de manhã e termina com vozes, buzinas e sirenes à noite.

24 horas em 12 segundos. Sons graves são motores; agudos são vozes e sirenes.

Passe o mouse numa bolinha para ver a porcentagem de gravações daquela hora com o som. A faixa cinza embaixo mostra a fração de gravações sem nenhum dos sons marcados.

Achados

O que a partitura conta

5h

A hora mais quieta

Às 5 da manhã, 44% das gravações não têm nenhum dos sons marcados. Entre 18h e 21h, só 18%.

36%

A madrugada é dos motores

Das 0h às 5h, motores aparecem em 36% das gravações, mais do que em qualquer outro período. Caminhões e ônibus têm pico às 5h, quando começam entregas e coleta de lixo.

7h

A obra tem horário

Serras e bipes de ré disparam às 7h e britadeiras às 9h. De manhã, serras estão em 8,5% das gravações; à noite, em 0,2%.

24×

A cidade conversa à noite

Conversa é o som que mais varia ao longo do dia: no pico, às 21h, aparece 24 vezes mais do que no horário mais calado. À noite, vozes estão em 45% das gravações.

½

Fim de semana sem obra

Sábado e domingo, sons de obra caem para menos da metade (6,4% para 2,7%). Música (4,2% para 6,2%) e cachorros (3,7% para 5,8%) sobem.

2,7×

Verão tem trilha sonora

Música aparece em 7,2% das gravações de junho a agosto e em 2,7% em janeiro e fevereiro. Cachorros fazem o contrário: 6,1% no inverno, 2,3% no verão.

0

Sons que nunca se encontram

Em 18.510 gravações, música e serra elétrica não aparecem juntas nenhuma vez. Já motor e batidas (porta, carga e descarga) aparecem juntos 1,4 vez mais do que o acaso explicaria.

6

O caminhão de sorvete

O som mais raro da base. Das 6 vezes que ele aparece, 5 são no mesmo microfone, sempre entre 16h e 17h, inclusive em janeiro e dezembro.

Relógio da semana

Cada som tem seu dia e sua hora

semana.html

Escolha um som. Cada quadrado é uma hora de um dia da semana, e quanto mais forte a cor, mais gravações daquela hora têm o som (comparado com o pico do próprio som).

Vozes têm pico na sexta às 22h (51% das gravações). A serra elétrica quase some no domingo de manhã e chega a 8,6% na segunda às 8h. Passe o mouse num quadrado para ver o número.

O ano inteiro

As estações também soam

calendario.html

O mesmo som escolhido acima, mês a mês: a fração das gravações de cada mês em que ele aparece, somando os quatro anos.

Música sobe de junho a agosto, no verão de Nova York. Cachorros aparecem mais no inverno. Meses com poucas gravações oscilam mais, então vale olhar o número de gravações no detalhe de cada barra.

Retratos de esquinas

Cada microfone tem uma assinatura

retratos.html

Cada flor é um microfone com pelo menos 100 gravações. As 8 pétalas são os 8 grupos de som, e o comprimento mostra em que fração das gravações daquele ponto o som aparece. O miolo fica maior quanto mais silencioso é o lugar. Os destacados são os mais extremos.

O sensor 1 tem cachorro em 47% das gravações. O sensor 5, no Brooklyn, tem música em 39%. O 30 é quase só motor (74%), o 46 é quase só voz (71%), e o 14, também no Brooklyn, é o mais quieto (48% sem nenhum dos sons).

Para criar com os dados

Baixe e use

As tabelas abaixo têm os números da partitura e dos retratos, prontos para virar som, desenho ou instalação. O notebook refaz tudo no Google Colab e ensina a montar o mesmo mapa com gravações feitas no celular, em qualquer cidade.

Sobre os dados

Antes de citar os números

  • As porcentagens são das gravações anotadas, não do tempo total. A equipe escolheu para anotação trechos parecidos com os que já tinham sons de interesse, então sons raros estão super-representados. Comparar horários e lugares entre si funciona; dizer "Nova York tem buzina 15% do tempo" não.
  • A base marca presença de som, não volume. Para medir decibéis é preciso gravar, como mostra o notebook.
  • Por privacidade, o local é só o quarteirão e o horário é só a hora cheia. Quase tudo é de Manhattan (17.662 gravações), com 823 no Brooklyn.
  • Rótulo de cada gravação: a anotação verificada pela equipe quando existe; senão, a da equipe SONYC; senão, a maioria dos voluntários.
  • Fonte: Cartwright, M. et al. SONYC-UST-V2: An Urban Sound Tagging Dataset with Spatiotemporal Context. DCASE Workshop, 2020. doi:10.5281/zenodo.3966543, licença CC BY 4.0.