A hora mais quieta
Às 5 da manhã, 44% das gravações não têm nenhum dos sons marcados. Entre 18h e 21h, só 18%.
Durante quatro anos, microfones presos em postes e fachadas de Nova York gravaram trechos de 10 segundos. Voluntários ouviram cada trecho e marcaram o que tinha nele: motor, serra, buzina, cachorro, conversa, música. Com essas marcações dá para ler a cidade como uma partitura: que som entra, a que horas, e onde.
Cada linha é um som e cada coluna é uma hora do dia. O tamanho da bolinha mostra em que horário aquele som aparece mais, comparado com o próprio pico da linha (a bolinha com contorno é o horário em que ele mais toca). As linhas estão em ordem de pico: a cidade começa com motores de madrugada, passa pelas obras de manhã e termina com vozes, buzinas e sirenes à noite.
Passe o mouse numa bolinha para ver a porcentagem de gravações daquela hora com o som. A faixa cinza embaixo mostra a fração de gravações sem nenhum dos sons marcados.
Às 5 da manhã, 44% das gravações não têm nenhum dos sons marcados. Entre 18h e 21h, só 18%.
Das 0h às 5h, motores aparecem em 36% das gravações, mais do que em qualquer outro período. Caminhões e ônibus têm pico às 5h, quando começam entregas e coleta de lixo.
Serras e bipes de ré disparam às 7h e britadeiras às 9h. De manhã, serras estão em 8,5% das gravações; à noite, em 0,2%.
Conversa é o som que mais varia ao longo do dia: no pico, às 21h, aparece 24 vezes mais do que no horário mais calado. À noite, vozes estão em 45% das gravações.
Sábado e domingo, sons de obra caem para menos da metade (6,4% para 2,7%). Música (4,2% para 6,2%) e cachorros (3,7% para 5,8%) sobem.
Música aparece em 7,2% das gravações de junho a agosto e em 2,7% em janeiro e fevereiro. Cachorros fazem o contrário: 6,1% no inverno, 2,3% no verão.
Em 18.510 gravações, música e serra elétrica não aparecem juntas nenhuma vez. Já motor e batidas (porta, carga e descarga) aparecem juntos 1,4 vez mais do que o acaso explicaria.
O som mais raro da base. Das 6 vezes que ele aparece, 5 são no mesmo microfone, sempre entre 16h e 17h, inclusive em janeiro e dezembro.
Escolha um som. Cada quadrado é uma hora de um dia da semana, e quanto mais forte a cor, mais gravações daquela hora têm o som (comparado com o pico do próprio som).
Vozes têm pico na sexta às 22h (51% das gravações). A serra elétrica quase some no domingo de manhã e chega a 8,6% na segunda às 8h. Passe o mouse num quadrado para ver o número.
O mesmo som escolhido acima, mês a mês: a fração das gravações de cada mês em que ele aparece, somando os quatro anos.
Música sobe de junho a agosto, no verão de Nova York. Cachorros aparecem mais no inverno. Meses com poucas gravações oscilam mais, então vale olhar o número de gravações no detalhe de cada barra.
Cada flor é um microfone com pelo menos 100 gravações. As 8 pétalas são os 8 grupos de som, e o comprimento mostra em que fração das gravações daquele ponto o som aparece. O miolo fica maior quanto mais silencioso é o lugar. Os destacados são os mais extremos.
O sensor 1 tem cachorro em 47% das gravações. O sensor 5, no Brooklyn, tem música em 39%. O 30 é quase só motor (74%), o 46 é quase só voz (71%), e o 14, também no Brooklyn, é o mais quieto (48% sem nenhum dos sons).
As tabelas abaixo têm os números da partitura e dos retratos, prontos para virar som, desenho ou instalação. O notebook refaz tudo no Google Colab e ensina a montar o mesmo mapa com gravações feitas no celular, em qualquer cidade.